Por Lydia Lucia
A partida do barco do Movimento Amigos do Garantido (MAG), nesta segunda-feira (23), muito mais do que marcar o início de uma viagem entre Manaus e Parintins, simboliza a continuidade de uma das mais belas manifestações de pertencimento cultural do Amazonas.
A bordo do Ferry Boat Gênesis VIII, centenas de torcedores, associados e colaboradores embarcam rumo à Ilha Tupinambarana levando nas malas a expectativa pelo 59º Festival de Parintins e, no coração, a paixão pelo Boi Garantido.
Para quem acompanha a trajetória do movimento, a tradicional caravana fluvial representa um capítulo importante de uma história construída há três décadas. Fundado em 1996, o Movimento Amigos do Garantido nasceu em Manaus a partir da união de torcedores que compreenderam a necessidade de fortalecer a presença do Boi da Baixa de São José fora de Parintins. Ao longo dos anos, o MAG transformou-se em uma das maiores referências de mobilização cultural da capital amazonense, promovendo eventos, ensaios, ações comunitárias e contribuindo para manter viva a tradição encarnada entre gerações.
Hoje, ao celebrar seus 30 anos de existência, o MAG é reconhecido não apenas como um movimento de torcida, mas como um importante agente de valorização da cultura popular amazônica. Sua atuação ajudou a consolidar Manaus como extensão do território cultural do Garantido, fortalecendo a temporada bovina e aproximando a capital do maior espetáculo folclórico a céu aberto do Brasil. viagem fluvial guarda ainda um significado especial. Navegar pelos rios amazônicos até Parintins é reviver uma tradição que antecede o próprio festival. É compreender que o rio não é apenas caminho; é memória, identidade e encontro.

Enquanto a embarcação segue pelas águas do Amazonas, o vermelho e branco toma conta dos corredores, das conversas, das toadas entoadas coletivamente e dos sonhos compartilhados por quem acredita na força da cultura popular.
Como ativista cultural, vejo nessa caravana um exemplo poderoso de organização comunitária e resistência cultural. O Festival de Parintins não começa quando as luzes do Bumbódromo se acendem. Ele começa muito antes, nos currais, nos ensaios, nas famílias que preservam tradições e, especialmente, em movimentos como o MAG, que há 30 anos mantêm acesa a chama do pertencimento e do amor pelo boi do povão.

Quando o barco atraca no tradicional Pier Cidade Garantido,não serão apenas passageiros chegando a um destino. Será mais uma demonstração de que a cultura amazônica continua navegando forte, viva e capaz de unir pessoas em torno de uma identidade coletiva que atravessa rios, gerações e territórios.
Porque antes de ser festival, Parintins é movimento. E todo movimento começa com pessoas dispostas a seguir viagem.