Muito além do Festival de Parintins, uma exposição instalada no Centro de Cultura e Memória revela aspectos do cotidiano, dos saberes populares e da identidade amazônica por meio de objetos, cenários e símbolos que fazem parte da vida dos parintinenses. Idealizada pelo professor Carlos, da Alfa, com a participação de amigos e alunos, a mostra convida o visitante a reconhecer a cidade por meio de suas memórias afetivas.

Segundo a guia Ruth, a exposição foi concebida para transportar um pouco da rotina de Parintins para dentro da sala. As paredes reproduzem elementos presentes no dia a dia da população, como o tricicleiro, personagem que percorre as ruas vendendo frutas em seu triciclo.

O espaço também reúne cacos de cerâmica encontrados em diferentes áreas de Parintins, modelos de portas típicas da cidade e uma homenagem ao conhecido andarilho Manuel, figura popular que marcou a memória dos moradores.

Entre os elementos representados estão ainda a fiação urbana, frequentemente ocupada por pipas, janelas com grades de proteção, redes presentes nas casas, além de uma pequena casa de farinha equipada com utensílios tradicionais, como tipiti, paneiros, cuias, pilão, abanador e outros instrumentos utilizados na produção da farinha.

A exposição também valoriza os conhecimentos tradicionais da Amazônia ao apresentar ervas, cascas, sementes e produtos naturais utilizados na medicina popular, entre eles urucum, leite de amapá, mel de abelha, copaíba, folhas medicinais e outras plantas empregadas no preparo de chás e remédios caseiros. O ambiente reúne ainda um lampião, artesanato indígena e ouriços de castanha, reforçando a relação entre cultura, natureza e modos de vida da região.

Todo o espaço foi idealizado pelo professor Carlos, da Alfa, com o apoio de seus alunos, que participaram da construção da sala expositiva.

A mostra integra o Centro de Cultura e Memória, instalado no prédio da antiga Prefeitura de Parintins, que abriu suas portas para receber o projeto e fortalecer o vínculo entre educação, patrimônio cultural e comunidade.

Ao final da visita, Ruth destaca que a exposição reforça uma mensagem importante: Parintins é muito mais do que o Festival e o boi-bumbá. A cidade possui uma riqueza cultural que se manifesta diariamente em seus costumes, saberes, personagens e memórias.

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